terça-feira, 2 de março de 2010

Atividade de Fonologia 101 e 102

Turmas 101 e 102,
Conforme combinamos na aula de terça-feira, estou postando as atividades sobre fonologia, para a próxima aula.
O poema explorado para as questões gramaticais é de Fernando Pessoa, um poeta do Modernismo Português. Uma dica: Vale conhecer a obra deste autor.
O poema abaixo é um dos mais conhecidos dele. Primeiro todos devem lê-lo para depois responder as atividades.

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Atividades:
1- Analisando a primeira estrofe do poema, identifique cinco palavras que possuam dígrafo.

2- Através do processo de neologismo o autor cria a palavra irrespondivelmente. Analisando-a é possível identificar quantos fonemas?

3- Analise as palavras abaixo e identifique o número de letras, fonemas e sílabas:
- parasita
- paciência
- absurdo
- etiquetas
- enxovalhos
- sentido
- hora
- agachado
- confessasse
- arrogante

4- “A letra é uma representação gráfica aproximada do fonema”. Argumente logicamente sobre esta afirmação exemplificando com palavras presentes no texto.

5- Analise as palavras abaixo classificando seus fonemas em vogais, semivogais e consoantes:
- meus
- estou
- irmãos
- sido
- ridículos
- mesquinho
- não
- feito
- financeiras
- surgiu

6- Analisando a 4ª estrofe do poema, argumente logicamente sobre a ironia utilizada pelo eu-lírico, transcendendo para situações cotidianas.

7- Estabeleça uma relação de comparação entre o poema e seu título.

8- Na 5ª e na 6ª estrofe, o eu-lírico apresenta questionamentos. Considerando as estrofes anteriores, o que é possível transcender para nosso cotidiano?

Lembre-se de fazer também as atividades da Apostila (P7 - páginas 50 e 51)
Um abraço e até segunda-feira.
Izaltino

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